A força do fetiche e das mascaras Zangbeto
Debaixo de uma camada maciça de rafia, Zangbeto gira e atira-se diante de uma audiência entusiasmada.
De
quando em quando, Zangbeto ergue-se a uma altura de quase três metros,
para atirar-se em seguida no solo e serpentear como uma cobra gigante.
Esse espirito é o guardião da noite, e espera pacientemente pela sua oportunidade de dançar.
As cerimonias são realizadas a beira mar, na desembocadura do rio Mono, em Grand Popo no Benim.
Nesse vilarejo perpetua-se a tradição dessas mascaras que representam os espíritos e as forças da natureza.
Os
indivíduos que vestem essas grandes roupas de palha colorida, pertencem
a uma sociedade secreta e sua identidade é desconhecida àqueles que não
são iniciados.
Os dançarinos vem prostrar-se, sobretudo diante do fetiche guardião do vilarejo.
E seguem rodopiando freneticamente pela praça ao som dos tantãs e ao clamor da plateia.
Em
seguida, alguns homens aproximam-se deles, erguendo-os do solo. O povo
constata então desconcertado que sob essa palha não ha ninguém.
Eles sacodem o traje de palha. E então aparece o fetiche, uma estatueta.
De acordo com os fieis, é a força do fetiche que faz as mascaras e as palhas girarem.
É difícil de acreditar. A magia do fetiche, símbolo de nosso inconsciente, deve permanecer intacta em seu mistério.
Foto de Carol Beckwith e Angela Fisher
As
fotógrafas Beckwith e Fisher realizaram um autêntico trabalho
antropológico durante os trinta anos que levaram fotografando as
cerimônias da África.
Aproveitando
a desvantagem aparente de sua condição feminina e graças à sua
adversidade, conseguiram ganhar a confiança dos homens e mulheres das
diversas tribos que visitaram, aceitando registrar sua vida cotidiana e
seu mundo espiritual de uma maneira que nenhum homem conseguiu antes.
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