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sexta-feira, 18 de maio de 2012

JUREMA E O BISPO

Postado por JORGE DOXUM em 30/08/2007
http://fotolog.terra.com.br/jorgedoxum:95

Recomendação do Bispo de Pernambuco para os párocos destinados à catequese dos índios, século XVIII.
“... lhes encarregamos muito o cuidado que deves ter em manter os seus fregueses na freqüência da igreja e recepção dos sacramentos e assistência da doutrina cristã, (...) porque sendo os índios naturalmente descuidados, deve o pároco aplicar maior desvelo em os doutrinar (...) para que não afrouxem os nos exercícios espirituais conducentes para a sua salvação (...) que estes pobres índios, neófitos necessitam de dobrado cuidado, e vigilância do pároco os conservar na observância dos dogmas e ritos católicos, exportados de algumas ações filhas da sua brutal e gentílica natureza (...) principalmente para que não pratiquem a sua célebre bebida chamada da jurema que a constante bebem em lugares retirados, e por ser bebida forte ficam embriagados, e alienados do juízo, fingem visões, indignas de católicas: cujos erros se devem extinguir quanto couber nas forças de um diligente pároco: como também outros infames ritos e abusos de certas danças, a que chamam Paracês.” (AHU, Caixa de Pernambuco, 22.03.1759)

[[Narrativa de Henry Koster sobre os ritos dos índios nos engenhos ao Norte de Olinda no século XIX.]]

“conversando um dia com pessoas de condição mais elevada, ouvi por acaso citar alguns índios que continuavam a observar os seus costumes religiosos. Um engenho próximo do meu era ocupado por uma família de pardos muito unidos com vários índios, embora não constasse entre seus membros um só individuo daquela casta. Quando os chefes das diferentes famílias se ausentavam as moças reuniam-se para brincar. Certo dia uma jovem índia levou uma companheira até a choupana em moravam os pais. Esta, curiosa como uma moça mesmo, interrogou a índia acerca de umas cabaças que viu dependuradas na parede e a índia parecendo assustada disse: “não olhe para este lado; aquilo são “maracás”, que meu pai e minha mãe guardam sempre no baú, mas de que hoje se esqueceram”; apesar deste pedido, a moça pegou numa das cabaças e balançou-a, notando que continha seixos, bem como todas tinham abelhas e um molhe de cabelos na parte superior, sendo, além disso, extraordinariamente polidas e a cousa ficou nisso. Pouco tempo depois diversas mulatinhas resolveram espreitar os índios, que sabiam, costumavam dançar muitas vezes nas choupanas a portas fechadas, o que além de ser fora de uso, era, sobretudo incomodo, por que tal exercício é mais agradável ao ar livre. Depressa tiveram ocasião de observar uma das reuniões clandestinas. As cabanas eram construídas de palhas de coqueiros, e as meninas abriram nelas uma brecha pela qual podiam ver o que se passava no interior. Um enorme vaso de barro estava colocado no centro da cabana e as assistentes, machas e fêmeas dançavam ao redor. De quando em quando passavam o cachimbo uns aos outros. Ouviram uma indiazinha contando a outra que uma noite mandavam-na dormir à casa do vizinho porque o pai e a mãe tinham de beber a “Jurema”. Esta bebida, dizem, é extraída de uma erva mui comum, porém nunca pude persuadir um índio a montar e quando um indivíduo dessa raça me afirmava não conhecê-la, o seu ar desmentia-lhe as palavras.”
(Henry Koster, Existe uma edição recente desse livro pela FUNDAJ, infelizmente o texto em que tenho esta citação não contém a fonte com dados de ano a página.).

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