Existe o “ajé” do primeiro ano de iniciado
Hoje vamos tratar de um assunto que sempre está em pauta nas
reuniões entre os zeladores, o Ajé de Um Ano, pois muitos adeptos da religião
passam por um período difícil, após iniciar-se em seu Orixá, em uma dessas
discussões, chegamos a senso, que vou expor a vocês, meu objetivo não é
assustar ninguém, mas sim alertar e deixar consciente quem está para fazer
santo.
O primeiro ponto que devemos entender é que fazer santo é um
casamento, por isso o nome yawò (yorubá: Noivo (a)), e vale relembrar que, como
um casamento, ambas as partes devem está de comum acordo, não é? Deve-se fazer santo, tendo a certeza absoluta
que irá levar a fé do Orixá para sempre na vida, você querendo ou não. Ponto
seguinte, como você se sentiria se alguém casa-se com você por interesse? Como
se sentiria? Pois bem, isso acontece demais com as pessoas em nossa religião,
que fazem santo, para resolver um problema na vida, ao invés de buscar a fé
para se fortificar, mas não só naquele momento, mas por toda sua existência.
Terceiro, sua obrigação com o Orixá não acaba no dia da queda do seu quelè,
assim como não vale lembrar que tem santo apenas nos ajoduns (aniversários).
Além desses pontos, ainda existe um mais grave ainda, quem
já ouviu falar da frase “Falar todo mundo fala, quero ver provar!”, pois é,
assim é na nossa religião, dizer que ama o Orixá, que sem ele não vive é uma
coisa, agora provar é outra. Voltando no que eu disse acima, sobre casamento, será
que sua relação com seu Orixá se mantém firme na alegria e na tristeza, na
riqueza e na pobreza, na saúde e na doença?
Por experiência própria, eu digo que o Orixá nunca quer mal
a seus filhos, nunca quer prejudicá-los, contudo algumas vezes ele não agir
efetivamente na vida dos iniciados, pois essa união não estar fortalecida,
assistida de forma plena, de coração. Tem iniciado que só está por obrigação, sem pensar que isso enfraquece seu
lado espiritual. Ser um yawò não faz com que sejamos imunes as leis que regem o
universo, tal como aquelas que regem nossa sociedade. Se me perguntar, existe
ajé de um ano, ou seja, o yawò tem mesmo que passar por dificuldades, eu digo
não! Não é preciso, mas antes de questionar o Orixá sobre sua vida, leia com
atenção os pontos que mostrei em cima, eu sei que fazer santo não é fácil, é
sacrificoso, mas não adianta fazer, se não for praticar sua fé, amor se
demonstra com atitudes, já cansei de ouvir: “Mas o Orixá vê meu coração”, sim,
concordo, mas ele também vê suas atitudes, e o que é pensamento sem ação? Pra
mim não é muita coisa. A vida de um iniciado no candomblé é: Amor, Fé e
Dedicação.
Se você se iniciou e tá passando por um momento difícil,
ajoelhe, fale com seu Orixá, em seguida procure o zelador de Orixá e abra seu
coração, veja o que seu santo diz e o que deve fazer para, seguir uma vida
plena, que venham as dificuldades, mas que a solução seja maior.
Um grande abraço e até mais!


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