O que é uma casa de Candomblé
Parte II
Atualmente os Ile Axé possuem
certos requintes modernos e confortáveis, porém ainda existem alguns, mas
arcaicos, até mesmo com telhados cobertos com folhas de coqueiros,
especialmente na parte dedicada ao barracão e aos quartos de santo, como modo
de manter as tradições. Respeitamos, mas faz-se necessário entender, e aceitar,
que um mínimo de conforto, beleza, modernidade e praticidade irão facilitar a
limpeza e a higiene. Isto dificultará a propagação de doenças, sem, contudo
diminuir a força ou o valor de nossos fundamentos. Tudo isso só irá ajudar o
engrandecimento da religião. O mundo esta evoluindo e todas as religiões estão
passando por numa modificação plena para acompanhar esta evolução. Por que o
candomblé não deve participar desse movimento.
Uma casa de candomblé costuma
ser reconhecida de longe, pois geralmente é toda pintada de branco e possui um
grande pote de barro (Porão) em cima do muro ou do portão. Em alguns terreiros,
fazendo uma delimitação emblemática da roça, encontra-se uma espécie de cerca
viva, com plantações de peregum. Outros possuem no portão algum distintivo
especial que identifica seu orixá patrono. O mesmo ocorre com os quartos de
santo, que costuma ter algo que distingue a que orixá eles pertence, podendo
ser ferramentas, cores ou adereços. Estes quartos às vezes, são feitos de terra
batida, de cimento e, mas modestamente, de pisos ou cerâmica, facilitando assim
a limpeza, pois o principal na religião é que a casa esteja impecavelmente
asseada e perfumada.
Existe algo em comum em todas
as casas: logo na entrada da casa esta o assentamento de Exu,
o senhor das
passagens, dos caminhos. Aquele que rege o dia e a noite e que regula todo que é
transitório, permitindo assim a entrada ou saída de algo ou de alguém. Próximo,
o assentamento de Ogum
, para trazer defesa para casa. A seguir, de acordo com
cada Axé, pequenos quartos individuais para abrigar os orixás, os Ile Orixás. Nas
grandes casas, muito antigas, que possuem imensos espaços, pode ser encontrado,
bem resguardado de olhares alheios, um local para o culto à ancestralidade, o Ilê
Ibó Iku (Casa dos Eguns).
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